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Relatório 2 Anos CCIR

RELATÓRIO SOBRE A COMISSÃO DE COMBATE À INTOLERÂNCIA RELIGIOSA:

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BALANÇO DE DOIS ANOS DE ATIVIDADE

Relatório a ONU

CCIR-RJ denuncia
“ditadura religiosa" no Brasil

onu

ao Presidente do Conselho
de Direitos Humanos da ONU

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Diversidade reúne mais de 80 mil pessoas de crenças diferentes na Princesinha do Mar

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Uma passarela repleta de cores vibrantes, diversidade de linguas, manifestações religiosas, orações e um grito em comum "Liberdade Religiosa". Neste clima descontraído, alegre e fraterno segue pela Orla de Copacabana a II Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, acompanhada por mais de 80 mil fiéis, segundo informações do 19º BPM (quatro vezes o número de pessoas do ano passado). Enquanto que, no alto dos quatro trios elétricos, líderes religiosos debatem a intolerância e chamam a atenção das autoridades para a problemática mundial, ao longo da avenida Atlântica e até nas areias de Copacabana os fiéis, moradores e banhistas comentam histórias sobre o assunto em pauta. Muitos são parentes ou vítimas de ataques religiosos e buscam, no diálogo com outras pessoas que passaram pela mesma experiência, um consolo para a humilhação sofrida.


Kardecistas, umbandistas, muçulmanos, ciganos, católicos, krishnas, judeus, camdomblecistas, evangélicos e povos de etnias como a anglo congonesa estão representadas na manifestação. Com cartazes paramentados e em forma de orações, danças, gestos ou gritos de guerra, eles pedem juntos pelo direito à liberdade religiosa.

A Baixada Fluminense foi representada por uma caravana com aproximadamente 100 kardecistas e umbandistas do município de Nilópolis, organizada pelo Centro Espírita Caridade Guarany. Para o subentendente para Igualdade Racial, Gessy de Gouveia, mobilizações de povos distintos como esta, organizada pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, é fundamental para reformular as bases sociais preconceituosas. Animado com a força congregadora da caminhada, Gessy confia que novos rumos serão traçados daqui em diante.


Informação para dar fim ao preconceito, diz islâmica

Para a integrante da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa e islamica Latifa Ahmad Mohammad , a informação é o mais importante para acabar com o preconceito. Segundo Latifa, o simples fato dela e o marido entrarem no metrô com uma pasta preta ou algo parecido já causa reação nas pessoas, que, muitas vezes, se afastam por acreditar que eles podem ser terroristas.

- A informação é muito importante para acabar com o preconceito. Muitos olham os mulçumanos como terroristas, e não é assim. As pessoas me veem de véu e fazem brincadeiras. Quando meu marido entra no metrô, olham para ele como se fosse um homem-bomba, só por causa da pasta do lap top. No Islã , o terrorista também é criminoso-, contou Latifa.

Os hare krishnas também tiveram seus representantes na caminhada. Para a religiosa Raga Bhumi , um evento como este é muito importante , já que o planeta vive uma situação em que a tolerância religiosa é primordial para se contruir um pilar de igualdade social. Para ela, deve haver mais proteção às atividades contemplativas. Já os congoleses mostraram que tolerância religiosa é uma marca do país deles. Segundo o presidente da Comunidade Anglo-Congolesa no Brasil, Lubadikadio Berry, os integrantes tem diversas religiões. Para eles, o importante é seguir a Deus. Para Lubadikadio , ninguém pode obrigar uma pessoa a seguir determinada religião. Para ele, a divisão gera guerra e só a união pode trazer a paz.

- Nós não temos uma religião definida, até porque Deus não tem religião. A nossa comunidade quer unir os africanos que estão espalhados pelo Brasil. O nosso intuito é unir essas pessoas para resgatar a nossa cultura, fazendo trabalhos em escolas, ensinado nossa história, dança, moda e culinária -, afirmou.

Alegres, coloridos e animados. Assim, os ciganos clamaram pela liberdade de culto e religião. Segundo o presidente da União Cigana do Brasil, Mio Vacite, as pessoas devem ter livre arbítrio para escolher a religião a que vão seguir, até por ser um direito constitucional. No entanto, apesar de não ter uma religião específica, os ciganos, segundo Vacite, sofrem discriminação, muitas vezes, velada.

- Muitos ciganos preferem ficar no anonimato para não se prejudicar na vida profissional. A intolerância acontece de forma velada. Muitas vezes, quando as pessoas descobrem que um colega de trabalho é cigano, se afastam e até prejudicam a pessoa. Então, muitos ciganos preferem se esconder.

O Pai Nosso , uma das mais conhecidas orações cristãs, foi recitada por aproximadamente 60 mil pessoas. Quem iniciou a oração foi a diretora do Conselho Espírita do Rio de Janeiro, Cristina Brito, que afirmou ter ficado muito honrada e emocionada por particpar da caminhada. Para ela, o evento vai contribuir para que as pessoas tenham menos preconceito.

Ano Novo para os judeus

Em um dia de festa para a comunidade judaica, já que hoje é celebrado o Rosh Hashaná, o Ano Novo para os judeus, Patricia Tolmasquim, membro eleita do Conselho Deliberativo da Comunidade Judaíca no Rio de Janeiro, preferiu estar em Copacabana a ir à sinagoga. Para ela, a manifestação livre é um direito democrático que muitos povos ao redor do mundo não possuem.

- O povo iraniano quando quer protestar sobre alguma coisa tem que ir às ruas calado, mas nós temos o privilégio da liberdade de expressão e temos que saber utilizar. Copacabana, hoje, está emanando a divindade. Nós sempre vamos apoiar manifestações como estas de paz e união. Por isso, fiz questão de vir aqui mesmo sendo nosso Ano Novo -, contou Patrícia.

O porta-voz da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos, declarou, com a chegada dos trios no fim do evento, que a os membros da instituição eram os únicos responsáveis pelo sucesso do acontecimento.

- Esta festa bonita que estamos participando é fruto do apoio de todos os membros da comissão. Os recursos não chegaram, e a presença dos trios aqui é fruto do empenho da comissão. Voltem para suas casas e mantenham o diálogo em torno da tolerância religiosa -, declarou.

Segundo bombeiros que estavam no local, apenas uma senhora teve mau súbito, por volta de meio-dia, mas foi atendida e liberada em seguida. Duas crianças banhistas, que não participavam da caminhada, ficaram perdidas pela tarde, mas foram encontradas.


Grupos culturais de diversas crenças animam a II Caminhada

Grande parte da Orla de Copacabana ficou pintada de branco. Quase dois quilômetros foram tomados pelos religiosos, que cantavam e dançavam ao som de grupos rítmicos. Em um total de público de 80 mil fiéis na Praia de Copacabana, segundo informações do 19º BPM (quatro vezes o número de pessoas do ano passado).

Durante a concentração, entre o posto 5 e 6 da “Princesinha do Mar”, era só alegria. A apresentação do Movimento Hare Kisna encantou a todos os presentes. Os blocos Afros: Orunmila, Afoxé Raízes Africanas, Afoxé Bamba no Aro e Afoxé Maxambomba animaram a multidão presente. Não tinha quem ficasse parado. Os ogãs Sebastião Casemiro e José Carlos de Oxossi louvaram aos Orixás da Umbanda com cantos tradicionais da religião. Eles foram acompanhados por um grande coro de umbandistas, ao longo da Praia de Copacabana.

A cantora Liz Hermann, também umbandista, veio de São Paulo especialmente para a II Caminhada. Liz cantou quatro faixas de seu álbum de samba intitulado “Umbanda em Nós”. Olodum, Ilê Aiyé e Filhos de Gandhi encerraram o evento, no fim da tarde, com um grande show no Posto 2, da Praia do Leme.


Em iorubá, “Faz um Milagre em mim” emociona a todos

Um dos pontos altos do evento foi a música gospel "Faz um milagre em mim", cantada em iorubá. O tradutor e cantor foi o sacerdote candomblecista Babá Òguntundelewa, de Nova Iguaçu, que interpreta a música em festivais, há pelo menos dois meses. Segundo Babá, o objetivo da tradução é mostrar que não existem diferenças quando o assunto é a convivência harmoniosa das religiões.

 

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